quarta-feira, 8 de julho de 2015

CORRIDA DO OVO.

Que divertido lembrar da prova de gincana, ou da brincadeira de criança, aquela em que os competidores alegres pela diversão mordem a ponta do cabo de uma colher para a segurar com boca um ovo na outra extremidade, de preferência com o ovo cozido, ainda bem! Isso deveria ser feito com as mãos para trás, para evitar que haja trapaça.
Mas a corrida do ovo da vida real não é tão divertida quanto aquela de outrora, mas é um retrato das agruras diárias, por isso lembrei-me deste jogo, já que minha vida mais parece com esta corrida, mas com um diferencial: além de correr com uma colher na boca com um ovo cozido, e com as mãos para trás, tenho que assim fazer em meio ao ataque de um enxame de abelhas, e se eu resistir a picadas, tenho que correr na lama escorregadia, dentre outros obstáculos... a vida não é uma simples diversão!
Ora, mas que loucura! Você poderia então assim pensar. Como de fato alguém poderia ser participante desta prova em são consciência? Quem ousaria organizar tão dura gincana?
Minha vida é um campo de prova, e o que costuma-se ver por aí são jogos disciplinados por regras bem claras e humanas, mas na minha vida não é um jogo comum. Por que ao final da competição, se obter vitória, serei mais do que um simples vencedor devido a competição não ser uma simples prova, não que seja impossível vencê-la, mas requer do competidor perseverança e destreza, dentre outras virtudes adquiridas no decorrer das competições inúmeras que a vida me proporcionou.
Cheguei à conclusão de que a minha vida mais parece essa corrida de ovos quando percebi que mesmo ao ter objetivos bem definidos, e as coisas estarem encaminhadas, tudo se encaixando... De repente surge algo que atrapalha a caminhada, a corrida, antes aparentemente seria tranquila, bastando equilibrar o ovo com a colher e correr até a faixa de chegada, porém as abelhas foram atiçadas, a estrada está enlameada e deslizante.
Fica então a pergunta. Quem poderá chegar até o final mesmo com tamanhos obstáculos a enfrentar? Por certo chegarei com inchaços e hematomas causados pelas picadas das abelhas. Alcançarei a linha de chegada enlameado e com escoriações devido as quedas e tropeços. Uma coisa é certa, posso chegar lá, ou não.
Acontece que nós temos a tendência de acreditar que não conseguiremos. Esse pensamento pertence à maioria, que logo vê a dificuldade e desiste antes mesmo de tentar competir. Outros desistem logo no início. No entanto, os vencedores terminarão a competição, e não somente isso, aprenderão a sentir dor, e mesmo assim continuar a correr. Cair e se machucar, mas ainda prosseguir até o alvo.
O que para mim é mais interessante nessa tão conhecida corrida do ovo, é que o importante não é vencer por chegar primeiro do que os outros, e pular de alegria e dizer que ganhou. O mais interessante na corrida do ovo da vida, é que venci o medo, venci a dor, venci a morte, que não competi com os outros, mas comigo, com minhas fraquezas, meus erros, meus medos. E essa vitória não consigo só. Quem me a dá, é Aquele que fez o ovo, embora eu o tenha cozinhado, quem criou as abelhas com seus ferrões, mas as fez com capacidade de produzir o mel, que proporcionou a lama, mas que também criou a terra e a água imprescindíveis para mim.
Curitiba,  9 de junho de 2015.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Na república quem fala também ouve.

Resposta ao artigo de Bernardo Pena.


Há na Constituição da República uma garantia ao cidadão que de certa maneira tenha sua honra atingida, seja pelo dano à sua imagem ou reputação em decorrência de matéria considera desabonadora veiculada pelos meios de imprensa. É o denominado “direito de resposta”, o qual poderá ser exercido na mesma proporção e no mesmo meio de comunicação utilizado pelo dito ofensor.
Faço essas considerações jurídicas em razão de ter lido um artigo de autoria de Bernardo Schimdt Pena, publicado no jornal Tribuna Popular de Cacoal no início de setembro de 2014 (provavelmente a edição 1763), que menciona os candidatos aos cargos do legislativo ou executivo que trazem em suas propagandas eleitorais expressões de defesa da família, os quais são considerados pelo autor “ignorantes por não conhecerem o Direito”.
O autor do artigo, que leciona Direito em uma faculdade, gaba-se por ser um presunçoso baluarte do saber jurídico, e para fundamentar sua equivocada ideia chega a citar impropriamente o pensamento do filósofo norte-americano John Stuart Mill, e na matéria concluiu que os candidatos conservadores são ignorantes, que desconhecem o conceito hodierno e jurídico do que seja uma família.
Bom, conheço dois advogados que concorrem no presente pleito eleitoral ao cargo de Deputado Federal pelo nosso Estado, que são considerados conservadores pelos intelectuais da estirpe do autor do artigo, e até pelo povão, já que é patente a pretensão desses dois candidatos a defesa da família (e porque não, nos moldes conservadores). Entretanto, ambos militam, tanto na política quanto na advocacia. Será que estes ignoram a Constituição? Será que são dois analfabetos políticos?
Não creio que ignoram as normas deste país. Acontece que a discussão do que seja família, ou “famílias” como os pós-modernos assim preferem, é uma guerra que ainda não acabou no campo da política, mesmo que o conceito sociológico ou biológico seja pano de fundo para infindáveis discussões filosóficas e religiosas.
Ao citar o pensamento de John Stuart Mill de que “todos os ignorantes são conservadores, porém nem todos conservadores são ignorantes” (parafraseando seu texto de forma sucinta), torna o seu artigo incoerente com o que pensa o filósofo, ao deduzir que os candidatos que trazem a bandeira da defesa da família sejam ignorantes.
O que escrevo não pode ser encarado como um exercício do direito de resposta pelo motivo de não ser o ofendido direto, e por não ser candidato a um cargo eletivo, mas tenho compromisso com o saber e a verdade, além de ter o direito de expressar minha opinião, já que é bom considerar que “na república quem fala ouve”, e no caso, a ideia do autor merece uma antítese.
O autor afirma nas entrelinhas do texto que família não é só apenas pai, mãe e filho, que não mais vigora o conceito conservador de núcleo familiar, e que todo candidato que não concorda com sua ideia é um conservador ignorante, um retrógrado. Por certo, incorreu no erro brasileiro de normatizar ou positivar desnecessariamente as relações sociais, e de não deixar que as relações sociais influenciem a norma, até porque a afetividade ou atração sexual entre pessoas do mesmo sexo é um fato social que é notório desde as civilizações antigas (Sodoma e Gomorra que o diga).
Aqui há lei para isso ou aquilo. A lei dá um jeito para tudo. Lei para palmada. Lei para companheira ou esposa que leva surra de seu companheiro ou marido, se bem que o inverso vale, só não sei se pega bem para o marmanjo. Lei da Copa. Lei da torcida. Lei do negro. Lei do índio. Lei do pobre. Lei da criança. Lei do idoso. Existe até a lei da lei.
Importa que o autor demonstrou que se enquadra na turma dos ignorantes que tanto detesta, ao se achar o único sabedor do Direito dos modernos, dos evoluídos, e se esquece que os conservadores também pensam, amam, vivem, e, portanto, têm direito, inclusive de ser votados, e de pensar o contrário dos ditos modernos.
Recomendo ao autor que saia às ruas, que sonde a opinião do povo de nossa cidade, e verá que em quase cada quarteirão da cidade haverá um estudante de Direito, bacharel ou advogado cristão e conservador. Logo, esse discurso pós-moderno não é unânime, sequer majoritário.
Acredito que o autor do artigo deva ser um pouco humilde, e que deva respeitar seus alunos conservadores, pois é muita presunção colocar os conservadores na classe dos ignorantes deste país só porque não concorda com o conceito de família ainda adotado pela maioria do povo brasileiro.
Embora o mencionado professor tenha liberdade de cátedra, os alunos e os leitores do Jornal não devem calar-se ante os disparates de um pseudo-intelectual, que de longe não se compara com juristas da monta dos conservadores Rogério Greco Filho e William Douglas, dentre outros, o que o faria perceber quão grande é sua ignorância, e porque não, arrogância.
***
Mais vale um humilde conservador do que um soberbo de vanguarda. O humilde sabe que o que pensa não é unanimidade, mas o arrogante crê na única existência de sua razão. Portanto, há conservadores humildes e arrogantes, e há pensadores de vanguarda também humildes e arrogante. Todavia, a questão não está em ser conservador ou não, mas acima de tudo, está o valor da humildade.

                                                                                                           8 de setembro de 2014.
(Célio Menezes, advogado e professor.)

Publicado na Tribuna Popular, Edição 1764, Cacoal – RO.
jornal@tribunapopular.com


quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Quem sou eu

Brazil
Sirvo a JESUS CRISTO. Exerço a advocacia desde 2008, cuja formação é pela Universidade Federal de Rondônia.