CORRIDA DO OVO.
Que divertido lembrar da prova de gincana, ou da brincadeira de criança, aquela em que os competidores alegres pela diversão mordem a ponta do cabo de uma colher para a segurar com boca um ovo na outra extremidade, de preferência com o ovo cozido, ainda bem! Isso deveria ser feito com as mãos para trás, para evitar que haja trapaça.
Mas a corrida do ovo da vida real não é tão divertida quanto aquela de outrora, mas é um retrato das agruras diárias, por isso lembrei-me deste jogo, já que minha vida mais parece com esta corrida, mas com um diferencial: além de correr com uma colher na boca com um ovo cozido, e com as mãos para trás, tenho que assim fazer em meio ao ataque de um enxame de abelhas, e se eu resistir a picadas, tenho que correr na lama escorregadia, dentre outros obstáculos... a vida não é uma simples diversão!
Ora, mas que loucura! Você poderia então assim pensar. Como de fato alguém poderia ser participante desta prova em são consciência? Quem ousaria organizar tão dura gincana?
Minha vida é um campo de prova, e o que costuma-se ver por aí são jogos disciplinados por regras bem claras e humanas, mas na minha vida não é um jogo comum. Por que ao final da competição, se obter vitória, serei mais do que um simples vencedor devido a competição não ser uma simples prova, não que seja impossível vencê-la, mas requer do competidor perseverança e destreza, dentre outras virtudes adquiridas no decorrer das competições inúmeras que a vida me proporcionou.
Cheguei à conclusão de que a minha vida mais parece essa corrida de ovos quando percebi que mesmo ao ter objetivos bem definidos, e as coisas estarem encaminhadas, tudo se encaixando... De repente surge algo que atrapalha a caminhada, a corrida, antes aparentemente seria tranquila, bastando equilibrar o ovo com a colher e correr até a faixa de chegada, porém as abelhas foram atiçadas, a estrada está enlameada e deslizante.
Fica então a pergunta. Quem poderá chegar até o final mesmo com tamanhos obstáculos a enfrentar? Por certo chegarei com inchaços e hematomas causados pelas picadas das abelhas. Alcançarei a linha de chegada enlameado e com escoriações devido as quedas e tropeços. Uma coisa é certa, posso chegar lá, ou não.
Acontece que nós temos a tendência de acreditar que não conseguiremos. Esse pensamento pertence à maioria, que logo vê a dificuldade e desiste antes mesmo de tentar competir. Outros desistem logo no início. No entanto, os vencedores terminarão a competição, e não somente isso, aprenderão a sentir dor, e mesmo assim continuar a correr. Cair e se machucar, mas ainda prosseguir até o alvo.
O que para mim é mais interessante nessa tão conhecida corrida do ovo, é que o importante não é vencer por chegar primeiro do que os outros, e pular de alegria e dizer que ganhou. O mais interessante na corrida do ovo da vida, é que venci o medo, venci a dor, venci a morte, que não competi com os outros, mas comigo, com minhas fraquezas, meus erros, meus medos. E essa vitória não consigo só. Quem me a dá, é Aquele que fez o ovo, embora eu o tenha cozinhado, quem criou as abelhas com seus ferrões, mas as fez com capacidade de produzir o mel, que proporcionou a lama, mas que também criou a terra e a água imprescindíveis para mim.
Curitiba, 9 de junho de 2015.